quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A Invisibilidade de Deus

dizem que em sua boca se realiza a flor

outros afirmam:

a sua invisibilidade é aparente

mas nunca toquei deus nesta escama de peixe

onde podemos compreender todos os oceanos

nunca tive a visão de sua bondosa mão



o certo

é que por vezes morremos magros até ao osso

sem amparo e sem deus

apenas um rosto muito belo surge etéreo

na vasta insónia que nos isolou do mundo

e sorri

dizendo que nos amou algumas vezes

mas não é o rosto de deus

nem o teu nem aquele outro

que durante anos permaneceu ausente

e o tempo revelou não ser o meu


Al-Berto
O Medo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Triste...

Triste, triste, triste.
Tristeza intima, profunda, correndo nas veias.
Tristeza de cais, de despedida, de solidão.
Tristeza por deixar o meu "Paris, Texas", que vai voltar para a fotografia.

Aqui chorei, aqui sorri, aqui me fiz melhor, aqui amadureci, aqui fui feliz.

Triste, triste,triste!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinicius de Morais

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Um luar claríssimo nasceu
E no meio da cidade iluminada
Procuro encontrar um olhar teu,
Um gesto, um pormenor, uma risada.

Nas caras em que pouso o meu olhar
Revelam-se diferenças das pessoas
Que fazem transparecer, ao passar,
Coisas más, coisas loucas, coisas boas.

De ti começo a ver primeiro
A sombra que se vem a aproximar.
Depois o teu corpo por inteiro
E um sorriso de ternura no olhar.

É bom este momento inicial
Em que tudo se torna especial
Por um gesto, um pormenor, uma risada.

E a lua que à pouco apareceu
Consegue brilhar mais no olhar teu
Do que toda a cidade iluminada.

Eu, apaixonada!

Ano novo

Quatro dias após a passagem do ano, o que realmente mudou?
Primeiro, a data e o esforço imenso para não voltar a escrever 2007!
Segundo, ...

Os desejos repetem-se: paz, saúde, alegria, amor, solidariedade,...

Este ano desejei sorrisos e momentos bonitos.

Sorrir é ser feliz por um minuto, é interiorizar um momento bonito que vai perdurar na memória para voltar a fazer sorrir!

Um poema, uma música, uma canção, um livro, um filme, uma paisagem, um abraço, um olhar fazem-me sorrir.

O que destaquei - por sugestão da "Pública!"-no ano de 2007 foi um abraço. O filme rebobinou-se e voltou a recordar: um olhar, uma corrida, um sorriso e um abraço apertado. Não houve palavras.

Gostava que 2008 me trouxesse mais abraços, mais sorrisos e mais momentos bonitos que me fizessem feliz!